os teus dedos
um a um gravados na areia
de costas voltadas para dentro
para que nenhum a si mesmo se reconheça
a maré há-de levar as suas marcas
prometidas que são ao desconhecido
à alegria breve das manhãs que te surpreenderem na praia
adormecido

os teus dedos
um a um gravados na areia
de costas voltadas para dentro
para que nenhum a si mesmo se reconheça
a maré há-de levar as suas marcas
prometidas que são ao desconhecido
à alegria breve das manhãs que te surpreenderem na praia
adormecido
*
selvagens (como bolaño)
obstinados e tristes
(como fantasmas à deriva)
belos desesperados
mortos de fome a saltar sobre o vazio
(como nós)
e se isso não chegar para mortalha
um colapso do fígado há-de bastar
Durante a última década, a equipa de futebol do Benfica tem sido, demasiadas vezes, a ilustração da mais famosa das leis de Murphy: se alguma coisa pode correr mal, então corre certamente.
Poderia pensar-se apenas num caso de recorrente falta de competência, mas já não é só isso: é um caso de psicanálise.
a voz que ouves
já não a ouves
voz do sangue
que percorre a noite
com o amor
e a fúria
da sua incompletude
é agora uma voz sem
corpo
uma fome seca
“Um sábio disse que não havia, neste mundo, homem que se conhecesse, porque todos para consigo são como os olhos que, vendo tudo, não se vêem a si mesmos”
Padre Manuel da Costa, Arte de Furtar